terça-feira, 13 de setembro de 2016

OS BONS FRUTOS


       A árvore morreu. Que pena!
      Devo dizer-lhe que senti muito a morte dela. Uma bela bergamoteira. Em junho, julho, amarelava de frutos. Olhe, não quero exagerar, mas aquela bergamoteira dava uma carroçada de bergamotas cada ano... e das graúdas, gostosas. No meu tempo de guri eu trepava nessa árvore generosa e saboreava os seus frutos à vontade, e de graça. Não custavam nada. E sabe de uma coisa: não foi só uma vez, ou duas, ou três, que ela se encheu de frutos. Ela fez isso umas 60 vezes, porque já o meu avô, no seu tempo de guri, trepava em seus galhos para saborear os seus frutos.
      Sessenta anos... Uma vida longa para uma bergamoteira... E toda a sua vida dando frutos, e de graça, sem exigir nada, nenhum cuidado especial, nenhum adubo caro. Sempre produzindo sem cobrar nada.
      Quem sabe, a sua alegria, sua recompensa fosse justamente dar; dar e alegrar as pessoas e os pássaros com as suas dádivas, com seus frutos. Dar  alegremente, com abundância, sem nada em troca. Dar sem perguntar a quem: pretos ou brancos, crianças ou adultos, pássaros ou animais.
      Com certeza você já percebeu que essa árvore me levou a pensar sobre mim mesmo, sobre minha maneira de viver, de dar e receber, de dar bons frutos.
      Vejo a bergamoteira como um exemplo para mim. Recebi muito: minha vida, minhas forças, minha inteligência, tantas coisas... e, principalmente minha família.
      Realmente recebi muito (nós recebemos muito) mas fica a pergunta: como estou com os meus frutos, compartilho eles com os outros?
- Sei que gosto mais de receber do que compartilhar; gosto mais de guardar do que repartir.
      Quem será que está certo: a bergamoteira ou eu?
(Do Devocionário Sol Nascente)
 Com carinho, Pastor Leandro Eicholz